Aconselhamento Terapêutico

 

 

Há momentos em nossa vida nos quais nos sentimos contrariados, aflitos, confusos, sem conseguir compreender o que está nos acontecendo. É como se tudo aquilo que sabíamos e em que acreditávamos de repente perdesse o sentido, deixando-nos sem ponto de referência para nos orientar. A morte de uma pessoa muito querida, o rompimento de uma intensa relação amorosa, uma profunda injustiça, uma doença grave, um assalto são exemplos desses instantes, que podem nos fazer sentir como se perdêssemos o “chão” de nossa própria vida, provocando-nos um sentimento de impotência, uma sensação de não conseguir agüentar o que está nos acontecendo.

 

Esses e outros, são momentos nos quais nos sentimos perdidos, como se retornássemos a ser crianças indefesas, que ainda não aprenderam a enfrentar as frustrações e os reveses da própria vida. Entretanto, às vezes ficamos decepcionados com nossa incompetência para dar conta dessa tarefa.

 

semcordaA capacidade que normalmente temos de cuidar de nossos próprios problemas pode, às vezes, se enfraquecer ou até desaparecer, por instantes, quando eles ameaçam ir além de nossos limites para suportá-los. Conseqüentemente, não aceitamos a situação difícil, e não conseguimos comprendê-la como apenas uma parte de nossa realidade, dentro de múltiplas possibilidades. Então, não conseguimos raciocinar para planejar e agir no sentido de enfrentar e resolver ou superar a dificuldade. Enquanto durar essa situação, o descontentamento e a aflição passam a dominar toda a nossa vida. As possibilidades parecem estar esgotadas. O fluir da sua existência parece estagnar ou ser represado. A evolução e crescimento pessoais parecem ser interrompidos.

 

O aconselhamento terapêutico pode estimular essa abertura do cliente, sugerindo-lhe situações nas quais ele retome sua sintonia com o mundo a partir de sua relação com a natureza e os entes que dela fazem parte. Alcançando, novamente ou pela primeira vez, uma forma mais funcional de encarar os problemas que o afligem.

 

Aceitar uma contrariedade não significa transformá-la em bem-estar, gostar que ela aconteça, e sim constatá-la como uma desagradável realidade, como a qual temos de conviver para conseguirmos compreendê-la, integrando-a a nossa vida e assim prosseguirmos no decorrer de nossa existência. Mesmo quando não chegamos a encontrar o porquê de determinada situação de sofrimento, é necessário que a aceitemos e compreendamos como fazendo parte de nossa vida, na qual existem, ainda, muitos mistérios. O importante é saber distinguir quando devemos lutar para conseguir fazer valer o nosso objetivo, enfrentando dificuldades e contrariedades para alcançá-lo. Ou quando precisamos dele desistir por reconhecer nossos próprios limites para conquistá-lo. É como aquela oração que diz: “Senhor, dai-me a coragem para modificar as coisas que eu posso, resignação para aceitar as que eu não posso, e sabedoria para distinguir uma situação da outra”.

 

A princípio o cliente assim o faz, ajudado pela presença do terapeuta; porém, vai gradativamente deste se libertando e adquirindo sua própria autonomia, sua própria maneira de enfrentar suas dificuldades, reconhecendo suas potencialidades e seus limites. Em termos existenciais, consiste em permitir o livre fluxo de seu existir, de revelar-se a si mesmo, que se encontrava encoberto pelas cinzas de seus sofrimentos.

 

Sendo assim, o aconselhamento terapêutico, pode ser feito em uma ou em algumas sessões (geralmente, no máximo 10). Esse tipo de abordagem é muito utilizado nas situações nas quais, por impossibilidades diversas, não é possível um processo continuado ou mais longo.

 

 

Apresentação baseada/ retirada da obra "Aconselhamento Terapêutico",

de Yolanda Cintrão Forghieri.

  

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