AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA

 

A avaliação psicológica, uma das áreas da psicologia que mais se desenvolveu ao longo dos últimos séculos (XIX e XX) constitui um dos recursos sabidamente mais utilizados pela sociedade para diferenciar, qualificar identificar características individuais de determinados indivíduos ou grupos com diversas finalidades. É atividade restrita ao psicólogo, que possui o domínio sobre as técnicas e controle sobre a manipulação dos testes, baseados em anos de pesquisa e experimentação científica.

 

O Conselho Federal de Psicologia, regulamenta no Brasil essa atividade, sendo os testes aprovados somente após criteriosa avaliação. O desenvolvimento, uso e comercialização de testes psicológicos no Brasil passa, portanto, pelo crivo rigoroso de uma comissão científica formada para esse fim, através do órgão máximo da psicologia no Brasil.

 

É comum associarmos ao psicólogo a imagem do “testólogo”, que na verdade foi o papel que ele exerceu principalmente na primeira metade do século XX. Hoje em dia, sabemos que com o desenvolvimento das técnicas e estudos sobre os testes psicológicos, existe uma infinidade de possibilidades de uso dos testes no dia-a-dia. Seja no trânsito, numa entrevista de emprego (seleção) ou concursos públicos, num órgão de polícia para concessão de porte de arma, no curso de uma investigação ou de um processo judicial etc. Atualmente a psicologia utiliza estratégias de avaliação psicológica, com objetivos bem definidos, para encontrar respostas a questões propostas com vistas a soluções de problemas.

 

A testagem pode ser um passo importante do processo de avaliação, mas constitui apenas um dos recursos de avaliação possíveis. É a chamada psicometria. Esta visa sobretudo abarcar um estudo individual acerca das diferenças de indivíduos de um mesmo grupo, ou de potencialidades e características individuais ou grupais (comportamento, afeto, cognição, memória, organização e funcionamento do psiquismo, etc).

 

Há ainda o psicodiagnóstico, que é uma avaliação psicológica, feita com propósitos clínicos. Este avalia além de características do funcionamento do psiquismo da pessoa, as forças e fraquezas, se pudermos assim chamar, no funcionamento psicológico, com um foco na existência ou não das chamadas psicopatologias.

A diferença que existe entre o psicometrista (psicólogo em geral) e o psicólogo clínico é que o primeiro tende a valorizar os aspectos técnicos da testagem, enquanto, no psicodiagnóstico, há a utilização de testes e de outras estratégias, para avaliar um sujeito de forma sistemática, científica, orientada para a identificação e/ou resolução de problemas.

 

Um conceito técnico de psicodiagnóstico seria: “um processo científico, limitado no tempo, que utiliza técnicas e testes psicológicos (input), em nível individual ou não, seja para entender problemas à luz de pressupostos teóricos, identificar e avaliar aspectos específicos, seja para classificar o caso e prever seu curso possível, comunicando os resultados (output), na base dos quais são propostas soluções, se for o caso.

Portanto, uma avaliação psicológica, clínica ou não, como aquelas com fins de selecionar indivíduos com base em suas características e perfis para um determinado emprego ou para porte de arma ou direito de dirigir (habilitação), parte desde uma classificação simples (comparando a amostra do comportamento do examinando com os resultados de outros sujeitos ou de grupos específicos, em dados quantitativos), de uma necessidade de descrição ou classificação (identificando forças e fraquezas, descrevendo o desempenho do sujeito tomando-se como base critérios diagnósticos específicos), até uma avaliação compreensiva, isto é, um entendimento da dinâmica psíquica da pessoa, esta última com fins eminentemente terapêuticos (prognóstico, prevenção etc).

 

Resumindo, podemos dizer que as principais funções de uma avaliação psicológica são, entre outras:

 

  • Levantar condições psicológicas de um ou mais indivíduos em determinada ocasião, para diagnosticar a sua situação no presente e conhecer a sua posição dentro do universo a que pertence;
  • Fornecer bases objetivas e confiáveis para selecionar candidatos a cursos, funções, encargos e cargos, avaliar desempenhos, promover, treinar e desenvolver funcionários e dar orientação educacional e vocacional a educandos;
  • Contribuir (com informações seguras e amplas) para o autoconhecimento – noção indispensável à orientação do autodesenvolvimento e ao seu controle;
  • Promover dados fidedignos e prognósticos sobre pessoas, e;
  • Dar fundamentos confiáveis para comparações entre grupos.

  

Tipos de itens possíveis de avaliação pelo psicólogo, com diversos fins:

 

Habilidades cognitivas (tipos e capacidades de raciocínio mais/ menos desenvolvidos), memória, atenção, inteligência (lógico-matemática, espacial, emotiva etc); vivacidade mental; capacidade cinestésica (de kine, movimento em grego); aptidões específicas (musical, espacial, intrapsíquica, extrapsíquica, profissional); aptidões interpessoais (empatia, entender os outros e com eles saber lidar); traços da personalidade mais/ menos desenvolvidos; percepção; auto-regulação (capacidade de lidar com os próprios sentimentos e emoções mesmo diante de dificuldades); automotivação.

Enfim, tudo com a intenção de conhecer melhor as pessoas, estudar as diferenças entre elas e até chegar a estimativas de certas reações suas em ocasiões futuras, bem como fazer prognósticos a seu respeito, e tudo com certa margem de segurança calculada.

 

O mais proveitoso é identificar os “predicados” de cada pessoa, para favorecer da maneira adequada as sua expansão e desenvolvimento.

 

 

Baseado em:

Jurema Alcides Cunha (e outros), Psicodiagnóstico-V, 5ª ed.

Ethel Bauzer Medeiros, Medidas Psico&Lógicas, Psicometria.

 

Leia também:

Medir e Avaliar: Processos Distintos.

 


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