REFORMULANDO AS EMOÇÕES

(TÉCNICAS DA PSICOTERAPIA BREVE)

 

Atualmente a procura por terapias de curto prazo vem aumentando consideravelmente, tendo em vista a necessidade da população por este tipo de atendimento. A limitação econômica e a falta de tempo são fatores que levam as pessoas a procurar por tratamentos psiquiátricos e psicoterápicos que não demandem muito tempo.

A Psicoterapia Breve é caracterizada por um tratamento que possui um tempo delimitado para encerrar. Daí surge a importância da avaliação e da seleção adequada de pessoas que são indicadas para este tipo de tratamento.  Existem alguns aspectos que são fundamentais para entendermos o funcionamento da Psicoterapia Breve: o foco do tratamento, ou seja, um ponto específico  da vida do paciente em que serão trabalhadas as questões de maneira objetiva e eficaz. Exemplificando: um luto não resolvido; uma dificuldade em terminar um relacionamento; dúvidas sobre mudança de emprego ou um adolescente que apresenta dificuldades em escolher uma profissão e preparar-se para o vestibular. A  participação ativa do terapeuta e o planejamento terapêutico também são importantes na Psicoterapia Breve.

Os objetivos terapêuticos estão ligados à necessidade imediata do indivíduo, à superação dos sintomas e a problemas atuais da realidade. O enfrentamento de situações de conflito, a aquisição da consciência da enfermidade e a recuperação da auto-estima são objetivos a serem alcançados pelo terapeuta e pelo paciente. A indicação terapêutica de Psicoterapia Breve tem como fator imprescindível a motivação do paciente.

 

A Psicoterapia Breve é um tratamento de natureza psicológica, de inspiração psicanalítica, cuja duração é limitada, na qual busca-se obter uma melhora da qualidade de vida em curto prazo, escolhendo um determinado problema mais premente e focando os esforços na sua resolução.

Dentre essas técnicas focais, uma que traz grandes benefícios em um prazo muito breve é o processamento de situações traumáticas por estímulos bilaterais (EMDR).
Há três reações possíveis a uma situação de perigo. Lutar, fugir ou paralisar-se. A paralisia é um último recurso para manter-se vivo, como um animal acuado que se finge de morto. Mas, ao contrário do lutar ou fugir, ela impede o processamento da experiência produzindo um trauma.
Uma experiência traumática não adquire um significado aceitável. Ela envolve uma intensidade de energia emocional, maior do que o organismo foi capaz de descarregar. Esse excesso de carga fica provocando o sofrimento.
As técnicas mais modernas permitem verificar que pessoas traumatizadas têm uma atividade cerebral muito maior de um lado do cérebro do que do outro.
A EMDR é um tratamento através de estímulos (visuais, auditivos, táteis) que facilitam o restabelecimento da comunicação entre os dois hemisférios cerebrais; vão se produzindo pequenas descargas suportáveis que possibilitam o processamento da situação e o alívio do sofrimento por uma re-significação da situação.
Vítimas de situações catastróficas ou de abuso físico, sexual ou emocional, e pessoas com sintomas de fobia ou pânico, rapidamente se restabelecem com a EMDR. Há também as situações dos pequenos abusos de situações opressivas ao longo de anos a fio que podem ser beneficiadas por este tratamento.
Mas percebe-se também que todos nós temos "trauminhas", situações difíceis ao longo de nossas vidas que não encontraram uma saída satisfatória, e que podem ser processadas desta forma para nos propiciar uma sensível melhora em nossa disposição.
Essas situações podem produzir sintomas como depressão, estresse, ansiedade, pânico, fobia, desamparo e amnésia, como uma determinada época da vida que não deixou lembranças.

A Psicoterapia Breve Integrada coloca em dúvida o conceito de que para ajudar de modo eficaz um paciente seja sempre necessário um tempo prolongado.

Através de uma abordagem psicoterapêutica mais dinâmica e flexível, essencialmente distinta da técnica psicanalítica tradicional, a Técnica Focal da P.B.I., por exemplo, possibilita que os objetivos terapêuticos sejam atingidos em prazo mais curto, através de um mecanismo denominado "Efeito Carambola", em que as mudanças em uma determinada área podem conduzir a alterações em outras áreas do comportamento do paciente.

Baseia-se no modelo de abordagem integrada biopsicossocial e privilegia a visão psicodinâmica dos conflitos (oriundos da psicanálise), permitindo a integração de diversas técnicas de diferentes abordagens psicoterapêuticas, além da utilização conjugada do tratamento psicofarmacológico (encaminhamento).

O termo "Psicoterapia Breve" teve origem na intenção de S. Ferenczi e O. Rank (discípulos de S. Freud), que em 1924 tentaram diminuir o tempo dos tratamentos psicanalíticos. Posteriormente, outros psicanalistas também fizeram importantes "transgressões" à técnica psicanalítica, sedimentando as características atuais da técnica de P.B.

Atualmente enfatiza-se a perspectiva teórica psicodinâmica da Teoria dos Afetos. A denominação "breve" deve-se ao fato de que as características específicas de sua Técnica Focal permitem abreviar a duração do tratamento e também reduzir o número de sessões.

 

A Técnica Focal da Psicoterapia Breve Integrada tem como objetivo ajudar o indivíduo na busca de soluções mais adaptativas aos seus problemas, dentro do tempo mais breve possível. É orientada para objetivos claramente delimitados e para mudanças legítimas nas vidas das pessoas e não somente para autoconhecimento e apoio.

 

1- A TÉCNICA FOCAL

O objetivo da Técnica Focal não é atingir todos os aspectos de mudanças estruturais, mas sim, dar início ao processo e deixar o paciente suficientemente estabilizado de forma que possa dar continuidade a esse processo de crescimento através de outros relacionamentos em sua vida. O papel do terapeuta será o de catalisador nesse processo de facilitação de mudanças proporcionando Experiências Emocionais Corretivas (EEC).
A Técnica Focal tem se provado extremamente eficaz em alguns transtornos mentais tais como:
- Transtornos depressivos
- Transtornos ansiosos
- Transtornos de comportamento
- Transtornos alimentares
- Reações de ajustamento
- Transtorno de estresses pós-traumático

Para a Psicoterapia Breve, é necessário um planejamento das estratégias terapêuticas a serem utilizadas e dos objetivos a serem atingidos, a partir da avaliação inicial e indicação terapêutica. É necessária uma avaliação prévia das condições internas e estrutura de personalidade do paciente, através de um diagnóstico nosológico (CID-10 e/ou D.S.M. IV) e de um diagnóstico psicodinâmico (com base no esquema dos Triângulos de Interpretação), pois nem todo paciente tem indicação para este tipo de técnica.

O Foco é estabelecido através da compreensão do psicodinamismo do problema do paciente. É importante para o terapeuta, na P.B.I., uma adequada avaliação das dificuldades do paciente e da gênese de seus problemas, para uma melhor compreensão dos conflitos psicodinâmicos. Dessa forma, apoiado numa sólida teoria de desenvolvimento psicológico, ele busca aumentar a probabilidade de propiciar Experiências Emocionais Corretivas.

A Focalização impede a Regra Fundamental da Associação Livre da Psicanálise, mantendo o problema principal como o foco central do processo terapêutico. O paciente é levado a identificar e correlacionar seus problemas e dificuldades, com as situações de sua vida diária nas quais eles aparecem.
Essas características essenciais distinguem a técnica da P.B.I. da técnica psicanalítica clássica, por se oporem às principais bases dessa.

 

2- O EFEITO “CARAMBOLA”

Carambola é a expressão usada para identificar uma jogada de bilhar ou sinuca em que uma determinada bola ao ser impulsionada por um taco, gera movimento em outras bolas que não haviam sido atingidas diretamente mas que passam a mover-se impulsionadas pelo movimento gerado pela primeira bola.

Por analogia à carambola do bilhar, o termo Efeito Carambola foi utilizado por Vera Lemgruber para expressar o mecanismo interno de potencialização dos benefícios terapêuticos obtidos através da técnica focal, com isso identificando a característica da técnica focal, na qual, ao se resolver o conflito focal circunscrito a uma determinada área da vida do paciente, outras modificações em diversos aspectos do indivíduo podem ocorrer, como reflexo de repercussões positivas da reformulação desse aspecto específico que foi focalizado e trabalhado durante a terapia.

O Efeito Carambola encontra-se fundamentado nas neurociências. A partir das Experiências Emocionais Corretivas (E.E.C.) é possível uma formatação biológica do domínio psicológico da ordenação e construção da experiência. Com isso propicia-se o estabelecimento de novas redes de conexões neuronais.

No processo psicoterapêutico, com o objetivo de promover essas experiências de reaprendizado que levam às modificações internas no modo como o indivíduo vê a si próprio e aos outros, um importante elemento da facilitação de mudanças é a E.E.C.
"Efeito Carambola significa tornar um círculo vicioso em círculo virtuoso". (Comentário de um paciente após alta do tratamento de um episódio depressivo).

 

3 –  TIPOS DE PSICOTERAPIA BREVE

Pode ser classificada em três tipos básicos:

a) Psicoterapia breve mobilizadora.
Trata-se de um processo que tem como objetivo a evidenciação da ansiedade contida em processes mórbidos apresentados pelo paciente, mas que, devido a diversos fatores, ainda não se encontra apto (ou mobilizado) para se submeter a um processo psicoterápico.

b) Psicoterapia breve de apoio.
Trata-se, por sua vez, de um processo de ação terapêutica que tem como objetivo diminuir a ansiedade de um paciente que sofra de dificuldades emocionais, sejam elas de que origem for. Notadamente eficiente no acompanhamento de pacientes da área hospitalar cuja principal dificuldade está em lidar adequadamente com algum distúrbio somático que o levou ao hospital, seja clínico ou cirúrgico.

c) Psicoterapia breve resolutiva.
Destina-se a procurar a origem intrapsíquica que originou a situação de crise vivida pelo paciente com o objetivo de efetivamente resolver o quadro apresentado, com a resolução do problema. É o tipo de Psicoterapia Breve que tem em sua determinação o principal objetivo de uma psicoterapia que é óbvio ao meu ver, ser terapêutico, isto é, efetivamente tratar.
Tendo então delimitado o campo em que se pretende trabalhar, isto é, o terapêutico, salientam-se algumas questões básicas como: as indicações dessa modalidade de tratamento, o problema da "focalização", a duração do processo, o prognóstico esperado e, destacadamente, a metodologia adequada a este tipo de processo.

Para Moreno, idealizador da psicoterapia psicodramática, que foi um grande defensor da Psicoterapia Breve, esta tem como meta a cura, a possibilidade de atingir o retorno do paciente às suas condições psíquicas anteriores ao transtorno apresentado, em um tempo mínimo, em que se consiga ajudar à pessoa a:
stop
a) Aceitar a realidade de seu ser-no-mundo, isto é, como a pessoa é e quais são as suas reais possibilidades de ser e agir;
b) Penetrar no psiquismo da pessoa e ajudá-la na realização de si mesma, a continuar seguindo o caminho de sua vida que foi interrompido pelo estabelecimento de uma situação especial de "doença" (uma crise, por exemplo) e permitir que ela tenha domínio sobre suas próprias variáveis individuais.
c) O objetivo deve ser reintegrar o "doente" na cultura a que pertence, ajudando-o a manifestar todo o seu potencial possível, restabelecendo seu potencial criativo e sua espontaneidade.


Nos processes terapêuticos, o conto do "Patinho Feio", não importa ser "pato" ou "cisne", mas o importante é conscientizar-se que se está no "lugar errado" e que se quer ser "pato" quando se é "cisne" e vice-versa, muitas vezes perdendo a oportunidade de ser um "bom pato, se é pato" ou um "bom cisne, se é cisne".

E assim se concentra a idéia de uma psicoterapia breve, isto é, a de procurar, ao lado do ser que sofre, encontrar a solução para a sua aflição, pesquisando no campo do "mundo externo", primeiramente, e a seguir no seu "mundo interno", as origens de seu sofrimento, sem se estender em longos caminhos de modificação.

Portanto, o processo de psicoterapia breve envolve a criação de um vinculo transitório entre terapeuta e cliente, baseado na relação dialógica, estruturado na empatia, com um nível mínimo de consolidação para que se possa desenvolver, tanto no contexto dramático, quanto no relacional, uma certa experiência emocional de correção ("Experiência Emocional Corretiva", aqui empregada num sentido mais amplo do que o proposto por Alexander, pois envolve não apenas a experiência relacional, mas também a revivência psicodramática corretiva), possibilitando a emergência de aspectos inconscientes através da “transferência” (conceito psicanalítico) isto é, emoções ou afetos repetidos ou simulados em outros contextos, agregados à situação vivida no presente pelo paciente (inclusive na relação com o terapeuta), permitindo o reconhecimento destes aspectos profundos (insight) e a liberação de cargas emocionais bloqueadas ligadas a eles (catarse de integração).

 

Assim, neste sentido, a Psicoterapia Breve tem a finalidade de uma "experiência emocional corretiva", em que se oferece ao paciente a oportunidade de vivenciar uma situação especial em um contexto relacional de aceitação e segurança (terapeuta<>paciente), onde ele possa chegar a uma formulação interna do conflito e reestruturar a sua vivência de ansiedade frente a uma situação emocional antes insuportável.

 

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 Extraído/ Adaptado de:

Site Técnicas Psicoterapeuticas

e

Site Psicobreve

Outras Abordagens:

Mudando o Pensamento (Terapia Cognitiva)

Em busca de sentidos (Logoterapia)

 

 


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