Quando a Psicoterapia é indicada?

 

 

Provavelmente, quando você se faz a pergunta, "será que é hora de procurar ajuda?", é bem provável que a resposta seja realmente sim. A terapia, apesar dos pré-conceitos contra, estereótipos e imagens errôneas que se faz dela, é sempre positiva pra qualquer pessoa que esteja sentindo a necessidade de, no mínimo, conhecer melhor certos aspectos íntimos seus que estejam ou não afetando sua relação com o mundo ao seu redor, sua percepção das coisas ou sua forma de enfrentar os problemas que a vida lhe apresenta.

 

Os benefícios que se pode obter a partir de uma relação terapêutica são incontáveis. Dependendo da grandeza do problema, das dúvidas ou incertezas que o levam a procurar ajuda na psicoterapia ou no aconselhamento terapêutico, tais benefícios vão desde a possibilidade de se conhecer melhor (seus limites, suas reais potencialidades etc) - função elementar de qualquer terapia - mas principalmente, a de encontrar novos pontos de vista possíveis, novas perspectivas em substituição a outras que podem impedi-lo de crescer e evoluir.

 

Basicamente, é a partir da escuta acolhedora do terapeuta, do laço de confiança e sinceridade que se estabelece nessa relação especial (você <-> terapeuta), que um mundo de possibilidades pode surgir de maneira a torná-lo novamente ou, pela primeira vez em sua vida, apto a viver sua liberdade, a reinventar-se continuamente, a repor a energia para enfrentar obstáculos e a descobrir sentido para a própria vida e para a lida diária.

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A nossa cultura, influenciada pelos ideais de perfeição, de beleza e de saúde exige-nos que sejamos auto-suficientes sempre. Relações perfeitas, personalidade impecável, sucesso perene, corpo e mente sempre ágeis e acima da média etc. Tanta exigência às vezes, diante de algum problema específico, pode nos levar desde a incômodos e preocupações constantes, até mesmo ao bloqueio total da ação. Nessas condições, admitir não saber como enfrentar certas dificuldades é tido como sinal de fraqueza, e a idéia de ter que buscar ajuda tende a ser mais que negada, rechaçada. É uma cilada, pois quando nos deparamos com problemas e dificuldades para com os quais não vislumbramos ou não dispomos de meios para lidar, geralmente tendemos a buscar culpados ou encontrar saídas rápidas e fáceis, inventar desculpas e disfarces, tudo para não termos que encarar de frente, ou não tomarmos a real consciência sobre questões que , na verdade, só nos prejudicam e mais cedo ou mais tarde, nos levam a estagnação de nossas vidas, à deterioração ou até destruição do nossos relacionamentos, à precariedade da saúde de nosso corpo e mente etc.

 

O texto "Uma sugestão às farmácias (...)", disponível na seção Textos, Artigos & Poesias deste site, expõe com certa dose de humor e ironia um outro fato que vale a pena lembrar: problemas, dificuldades, perdas, dúvidas e incertezas, crises etc, são uma classe de coisas em nossas vidas que, tanto podem servir para nos dar sérias dores de cabeça e muita aflição, como também podem servir de possibilidade para que entremos em contato com realidades íntimas e pessoais, que geralmente consideramos como sendo de segundo plano e de menor importância, mas que na verdade influenciam diretamente a maneira como encaramos a vida, as pessoas, nossas relações, nossas escolhas etc. e conseqüentemente têm implicações fortes na nossa qualidade de vida.

 

Ninguém está imune a essas determinadas situações, nas quais não se encontra força ou meios pra buscar uma saída. Na verdade, quem tem a possibilidade de encarar uma psicoterapia percebe, com o passar do tempo, que não se trata de fraqueza, defeito, doença ou sintoma a ser remido, mas que tudo é uma questão de escolher conscientemente apropriar-se de maneira mais digna e sadia, de sua própria forma de ser no mundo, indo além de certas condições impostas ou não pela vida e pelos acontecimentos. O filósofo Sartre foi muito feliz quando afirmou que “não importa o que fizeram com você. Importa o que você faz com o que fizeram de você”. Isto é, no fundo, nós somos plenamente responsáveis e capazes de construirmos uma existência da maneira que quisermos, “apesar de” (qualquer coisa) e indo além das dificuldades e limitações que podemos possuir, sejam estas passageiras ou não.

 

Por isso, diz-se que é muito comum você procurar ajuda por um motivo específico (geralmente um desconforto ou uma disfunção determinada) e, na maior parte das vezes, descobrir que o problema é bem outro(s), e talvez até mais profundo(s) ou não, e que foi por algum tempo ignorado por você, a única pessoa capaz de tomar consciência, transformar a si mesmo e às coisas ao seu redor. No final das contas, remove-se o obstáculo que bloqueava o caminho da sua própria vida.

 

Dessa forma, o psicoterapeuta, humano tanto quanto a pessoa que o procura, sendo possuidor de problemas, qualidades, vícios e virtudes tal como aquela (com a diferença de que está “do outro lado” da relação) pode ter, a partir de seus conhecimentos e experiências próprias e peculiares – mas principalmente a partir da relação única estabelecida com aquela pessoa! – uma visão externa que em muito lhe auxiliará. É como um alpinista experiente, que vai guiando, fixando a corda nos pontos seguros, escolhendo a rota, servindo de contra-peso para o companheiro, na “escalada” de sua vida, para que possam juntos enfim, chegar ao topo da montanha, contemplar a paisagem e respirar o céu. Às vezes pode-se até fazer esta “viagem” sozinho ou com outros “recursos”, mas compartilha-la é uma chance única e indescritível..

 

 CasalAlpinistasEntardecer

 

 

Leia também:

 

O que é Psicoterapia

 

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Em busca de sentidos (Logoterapia)

 

Reformulando as emoções (Psicoterapia Breve)

 

 

 

 

 

 


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